Questão de Linguagens e Códigos — ENEM 2024 · Questão 11 · Estudo do texto: as sequências discursivas e os gêneros textuais no sistema de comunicação e informação
Feijoada à minha moda Amiga Helena Sangirardi Conforme um dia prometi Onde, confesso que esqueci E embora — perdoe — tão tarde (Melhor do que nunca!) este poeta Segundo manda a boa ética Envia-lhe a receita (poética) De sua feijoada completa. Em atenção ao adiantado Da hora em que abrimos o olho O feijão deve, já catado Nos esperar, feliz, de molho. Uma vez cozido o feijão (Umas quatro horas, fogo médio) Nós, bocejando o nosso tédio Nos chegaremos ao fogão \[...\] De carne-seca suculenta Gordos paios, nédio toucinho (Nunca orelhas de bacorinho Que a tornam em excesso opulenta!) \[...\] Enquanto ao lado, em fogo brando Desmilingindo-se de gozo Deve também se estar fritando O torresminho delicioso Em cuja gordura, de resto (Melhor gordura nunca houve!) Deve depois frigir a couve Picada, em fogo alegre e presto. \[...\] Dever cumprido. Nunca é vã A palavra de um poeta... — jamais! Abraça-a, em Brillat-Savarin, O seu Vinicius de Moraes. MORAES, V. In: CÍCERO, A.; QUEIROZ, E. (Org.). Vinicius de Moraes: nova antologia poética. São Paulo: Cia. das Letras, 2005 (fragmento). Apesar de haver marcas formais de carta e receita, a característica que define esse texto como poema é o(a)