Questão de Linguagens e Códigos — ENEM 2021 · Questão 43 · A língua como patrimônio cultural e identitário
A volta do marido pródigo — Bom dia, seu Marrinha! Como passou de ontem? — Bem. Já sabe, não é? Só ganha meio dia. \[…\] Lá além, Generoso cotuca Tercino: — \[…\] Vai em festa, dorme que-horas, e, quando chega, ainda é todo enfeitado e salamistrão!… — Que é que hei de fazer, seu Marrinha… Amanheci com uma nevralgia… Fiquei com cisma de apanhar friagem… — Hum… — Mas o senhor vai ver como eu toco o meu serviço e ainda faço este povo trabalhar… \[…\] Pintão suou para desprender um pedrouço, e teve de pular para trás, para que a laje lhe não esmagasse um pé. Pragueja: — Quem não tem brio engorda! — É… Esse sujeito só é isso, e mais isso… — opina Sidu. — Também, tudo p’ra ele sai bom, e no fim dá certo… — diz Correia, suspirando e retomando o enxadão. — “P’ra uns, as vacas morrem … p’ra outros até boi pega a parir…”. Seu Marra já concordou: — Está bem, seu Laio, por hoje, como foi por doença, eu aponto o dia todo. Que é a última vez!… E agora, deixa de conversa fiada e vai pegando a ferramenta! ROSA, J. G. Sagarana. Rio de Janeiro: José Olympio, 1967. Esse texto tem importância singular como patrimônio linguístico para a preservação da cultura nacional devido